"... a Terra tem o suficiente para todos. Mas só o suficiente". (Gandhi, 1949).
O consumo é uma construção social, e, como tal, pode constituir-se em elemento impulsionador de transformações, possibilitanto que a partir dele contribuia-se para a alteração do modelo de desenvolvimento vigente na sociedade contemporânea - que é insustentável, injusta e excludente.
Para tanto, forças sociais precisam mobilizar-se e organizar-se para forjar uma nova consciência coletiva quanto ao significado do ato de consumir e para criar as condições objetivas que propiciem a adoção de um novo padrão de consumo, este, indutor e fortalecedor de novas práticas produtivas, base de um novo modelo de desenvolvimento - sustentável, justo e distribuidor de riquezas.
A demanda de produtos gerada pela sociedade atual é resultado de campanhas de massa que induzem e estabelecem o modelo de consumo, que por sua vez induz e orienta o modelo de produção hegemônico.
Desta forma, estabelece-se um círculo vicioso alimentado pela criação sistemática de novas necessidades, consolidando cada vez mais uma cultura baseada em princípios e valores que associam a qualidade de vida, a felicidade e o bem-estar à maior ou menor capacidade de ter. Os produtos valem por si mesmo e o processo para a sua realização não tem significado. No intuito de atender a demanda criada, a velocidade, a pressa, a aparência e a descartabilidade orientam o processo produtivo, que na sua realização viola direitos, explora trabalhadores (as) e nega o próprio ambiente, pois desconsidera o seu ciclo e ritmo de recomposição e por conseqüência os efeitos predatórios sobre o mesmo.
Dada a dimensão e complexidade do desafio colocado - re-significação do ato de consumir e produzir - é necessário que o mesmo transforme-se em desejabilidade e intencionalidade de muitos atores sociais, para que, de forma organizada e sistêmica, sejam desencadeados processos que coloquem gradativamente em cheque a lógica produtivista vigente e ao mesmo tempo consolide mecanismos que propiciem a adoção de outra prática, orientada pelos princípios e valores de sustentabilidade.
A re-significação é passível de ser construída, dentre outras formas associadas, a partir de ações que articulem quatro grandes campos (i) o campo dos consumidores; (ii) o campo dos produtores (iii) o campo da consciência coletiva (iv) o campo dos Movimentos Sociais.
Considerando que processos de mudança social e econômica dependem de mudanças de atitude e da implementação de um conjunto de medidas, de caráter governamental, é necessário instituir organizações perenes que atuem na sociedade nessa perspectiva, bem como apoiar e provocar os movimentos sociais para que incluam em suas pautas de luta e de reivindicações o tema Consumo Consciente, consolidando e acumulando processos capazes de impactar o modelo vigente.
O enfoque da mudança, nessa concepção, implica, portanto, na articulação de organizações e movimentos que abriguem forças sociais plurais, capazes de olhar e denunciar a realidade a partir das múltiplas dimensões que a organizam. Nesse caso particulas, significa focar luzes na relação de interdependência existente entre os atos de consumo e os atos de produção, desenvolvendo uma consciência crítica e forjando novos valores orientados pelos princípios do consumo sustentáveç, compreendendo este como indutor (um dos elementos) de um modelo de desenvolvimento sustentável.
Quanto mais atores sociais protagonizarem a desejabilidade e a intencionalidade de re-significar o ato de consumir e de produzir em nossa sociedade, e mais organizações e redes constituírem0se com essa perspectiva, criando as condições para que uma "outra economia aconteça", mais factível a aformação de que um "outro mundo é possível", mais justo, mais igualitário e mais fraterno.
O consumo consciente e responsável é a principal manifestação de responsabilidade social do cidadão. A responsabilidade social é uma nova consciência do contexto social no qual se inserem as empresas e os cidadãos.
O consumidor deve ser incentivado a fazer com que o seu ato de consumo seja também um ato de cidadania, ao escolher em que mundo viver. Cada pessoa deve escolher produtos e serviços que satisfaçãm suas nnecessidades sem prejudicar o bem-estas da coletividade, seja ela atual ou futura.
A mudança de comportamento do consumidor é um processso que requer sensibilização e mobilização social, e a informação é fundamental nesse processo.
Comportamento humano e mudança de valores
A discussão sobre comportamento humano e mudança de valores passa, necessariamente, pela correlação entre objetivos individuais, valores grupais e cultura. Ballachey et al (1975), ao abordarem essa questão, indicam que, embora haja estreita relação entre valores do grupo e objetivos individuais, existente, ao mesmo tempo, "lugar para grande desvio individual com relação aos valores do grupo", sendo o comportamento regulado por normas culturais. Para esses autores, tais normas são regras ou padrões aceitos pelos membros de uma sociedade, especificando comportamentos apropriados ou inadequados, com recompensa ou punição para ambos, em que costumes são apontados como normas de importância vital para a sociedade. Tais

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