Tenho conversado muito comigo mesmo por estes dias. Carência afetiva extrema. Sinto-me só, perdido, desgarrado, solto no meio do nada e longe de tudo. Preciso dividir as minhas dúvidas, os meus problemas, contar as minhas piadas da vida, os meus desejos, anseios, sonhos, virtudes, conquistas e reinados sonhados e planejados, aquilo que hoje eu tenho e aquilo que um dia eu terei. Alguém que ria, sorria, caminhe, lute, converse, ame e sonhe comigo, e, porque não, que também chore, saia correndo em dias de desespero sem rumo até que o interior se acalme, esperneie, quebre alguns pratos nos dias de ira, grite da janela nos dias de chuva e sem medo nenhum pule de uma cama para o amontoado de edredon espalhado pelo chão. Não, não digo com isso que não acredito na força dos relacionamentos, tampouco falo de relacionamentos sexuados, acredito na validade deles. Mas dirijo-me aos relacionamentos de amizade. Os bons, os guerreiros, os verdadeiros, que não desistem mas encontram forças nas jornadas pra ir em frente. Este tipo de relacionamento eu não o tenho mais hoje. E isso me faz falta. Acredito que já perdi muito. E estou perdendo um pouco mais a cada dia. Porque a cada dia que passa a certeza que me fica é a de que eu não nasci pra ser sozinho.

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