quinta-feira, 29 de maio de 2008

Hibernação (inacabado)

"Estar de vez em quando só é para mim o maior dos prazeres".
Fèdor Mikhailovitch Dostoievski
Um dos poucos prazeres que tenho quando entro no meu período de hibernação é a possibilidade de isolar-me do mundo ao meu redor e assim poder estar em contato mais íntimo comigo. É o tempo que me reservo e me dou para reavaliar o meu comportamento, as minhas atitudes, os meus caminhos trilhados e os que eu ainda vou trilhar, revisão de planilhas, de metas a curto prazo, de qualidades a serem lapidadas, defeitos a serem trabalhados, falhas a serem reparadas, de esvaziar-me de mim mesmo e dos meus vícios, de limpar a casa, a mente, o corpo, de reconhecer os laços formados e de .
Tempo de afrouxar o nó da gravata, desapertar o cinto, desamarrar os sapatos, descalçar as meias e descansar dentro de mim. Dar-me a paz, a tranqüilidade e o vigor de um encontro despretencioso e enamorar-me sem fim, como se fosse a primeira vez.

sim título (inacabado)

"Estar só de vez em quando só é para mim o maior dos prazeres". Fèdor Mikhailo

terça-feira, 27 de maio de 2008

Hibernando

Não quero mesmo hibernar antes da hora, mas acho que desta vez será inevitável.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Faz diferença?

o que? o comprimento do cabelo? o modelo do óculos? a posição pra se tirar a foto? a cor da camiseta? o sorriso? o estar de cada coisa? a intensidade de cada coisa? o que se ouve? o que se come? o que se pensa? o que pel'amorded'us!! a idade? a companhia? o lugar para onde se vai? com quem se vai? como se vai? o lugar de onde vem? o porque se veio? se veio bem? e se num veio? o que faz diferença? o que pensam de ti? o que tu pensa dos outros? o não pensam? o que deveriam pensar? o já pensaram? o que comentam? ou o que calam? o que faz diferença? se chove? se faz sol? se venta? se faz calor? se toma-se banho de chuva, mangueira ou ribeira? o que pel'amorded'us!! se há roupa no varal? se há o teu prato predileto no jantar? se há cores no teu arco-íris? ou se a foto foi monocromática? se houve riso? se houve choro? se houve murmuração? se faltou fé? se faltou um passo? uma palavra? um desejo? um cansaço? o que faz diferença? não sei... nem sei se diferença faz, mas independente disto vovó sempre dizia: "D'us nunca dá o frio maior que a capacidade do cobertor". ;)

Idem, ibidem

Querida mãe, querido pai,
Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado.
Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado.Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como "eu gosto de você". Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.
Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.
Amo vocês, seu filho,
Caio

quarta-feira, 7 de maio de 2008

"Quero sempre fazer, ao mesmo tempo, três ou quatro coisas diferentes; mas no fundo não só não faço, mas não quero mesmo fazer nenhuma delas. A ação pesa sobre mim como uma danação: agir, para mim, é violentar-me". (F. Pessoa)

Estou triste comigo mesmo. Não tenho conseguido cumprir as minhas metas diárias. A cada manhã não tenho orado mais como antes. Não tenho buscado a presença de D'us e a sua importância no meu dia-a-dia. Não tenho pedido as bênçãos diárias, tampouco agradecido pelo dia que se passou. Esqueço de orar em forma de agradecimento pelo alimento que tenho durante todo o dia, por estar mais um dia vivo, por Ter uma família, um teto para me abrigar, uma profissão, um sonho passível de realização e também - porque não? - problemas e desafios para enfrentar. Não tenho pedido que o Senhor D'us me guie e me guarde pelas as minhas veredas, que olhe e proteja os meus amigos e que tudo vá conforme a Tua direção e caminho traçado para o meu dia, para que eu mesmo não faça do errado o certo ou ache bondade alguma onde não há. Não tenho mais me preocupado em ler a Bíblia, tampouco seguir os teus preceitos que os tinha por tão certo, justo e imaculável. Já não sinto tanto gozo quanto antes ou como eu gostaria de sentir. Infelizmente sinto-me obrigado a manter um tipo de relacionamento que mais não há senão pela dor de tê-lo. E antes havia o encanto do amor. Do primeiro amor. Não tenho sido justo comigo mesmo também. Não tenho feito a minha busca diária por um estágio nos sites especializados, tampouco saído às ruas deixando o meu currículo no maior número de estabelecimento possível e permissível. Isso somente me entristece mais e traz a tona pesadelos, angustias e frases soltas na minha mente que não me favorescem, me denigrem e mostram tornar-se real uma realidade que eu prefiro esquecer. Não tenho mais forças para seguir adiante. Não tenho pique. Não tenho ânimo. Não tenho gozo. Compro revistas, mas não as leio, entro em sites mas não vejo perspectivas, tento novos cursos mas não encontro conexões e vontades. Só tenho achado graça em vegetar, em perder o rumo do andar, no não estar de cada coisa. No dormir em meio ao caos, no prender aos pés da cama, no sol que bate na cara querendo aquecer e despertar mas o cerro dos olhos possui força maior. Por hora não há perspectiva. Só há dor. E uma expectativa (frustada) de tentar ser (novamente) alguém.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Esquadros...

Berlim 01.07.93 (cartão)
Adriana C.
Minha sempre deusa, continuo andando pelo mundo, chorando ao telefone, prestando muita atenção, divertindo gente, a fome dos meninos da Yogoslávia nas ruas ricas da West-Berlim dói tanto ou mais quanto os nigrinhos do Rio, há dez meses acordo e não tenho ninguém do lado - os meus amigos, cadê? - Vou/irei à Tchecoslováquia, talvez Hungria, Jakarta, mas perdi alguma coisa no Brasil, ¨à tarde Maria dorme¨, tenho medo, matam turcos e a estrada é enorme, mas tua voz e tua música me aconchegam entre Paris/Amesterdam/Berlim/Praga/London/ tudo é muito igual e belos os alemãezinhos ao sol do verão fugaz deles.Te mando retalhos de amor.
Caio F.

http://www.youtube.com/watch?v=qS92UmIIEO8

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Um pouco de insanidade não faz mal a ninguém.

É, aconteceu, finalmente aconteceu! Tomei vergonha na cara e comecei uma verdadeira faxina nas minhas coisas. E começou pela internet, afinal eu nunca sei quando terei ou não terei ela em casa. E confesso que nunca me senti tão seguro quanto aos meus atos. O pessoal, de contato mais variado o possível, tem sido positivo quanto ao e-mail que vos mandei informando da minha decisão de deletá-los e somente adicioná-los quando recebesse uma mensagem de retorno. Desconhecia tamanho carinho e tamanha atenção. Agora é saber no que o resto disto tudo vai dar.