quarta-feira, 7 de maio de 2008

"Quero sempre fazer, ao mesmo tempo, três ou quatro coisas diferentes; mas no fundo não só não faço, mas não quero mesmo fazer nenhuma delas. A ação pesa sobre mim como uma danação: agir, para mim, é violentar-me". (F. Pessoa)

Estou triste comigo mesmo. Não tenho conseguido cumprir as minhas metas diárias. A cada manhã não tenho orado mais como antes. Não tenho buscado a presença de D'us e a sua importância no meu dia-a-dia. Não tenho pedido as bênçãos diárias, tampouco agradecido pelo dia que se passou. Esqueço de orar em forma de agradecimento pelo alimento que tenho durante todo o dia, por estar mais um dia vivo, por Ter uma família, um teto para me abrigar, uma profissão, um sonho passível de realização e também - porque não? - problemas e desafios para enfrentar. Não tenho pedido que o Senhor D'us me guie e me guarde pelas as minhas veredas, que olhe e proteja os meus amigos e que tudo vá conforme a Tua direção e caminho traçado para o meu dia, para que eu mesmo não faça do errado o certo ou ache bondade alguma onde não há. Não tenho mais me preocupado em ler a Bíblia, tampouco seguir os teus preceitos que os tinha por tão certo, justo e imaculável. Já não sinto tanto gozo quanto antes ou como eu gostaria de sentir. Infelizmente sinto-me obrigado a manter um tipo de relacionamento que mais não há senão pela dor de tê-lo. E antes havia o encanto do amor. Do primeiro amor. Não tenho sido justo comigo mesmo também. Não tenho feito a minha busca diária por um estágio nos sites especializados, tampouco saído às ruas deixando o meu currículo no maior número de estabelecimento possível e permissível. Isso somente me entristece mais e traz a tona pesadelos, angustias e frases soltas na minha mente que não me favorescem, me denigrem e mostram tornar-se real uma realidade que eu prefiro esquecer. Não tenho mais forças para seguir adiante. Não tenho pique. Não tenho ânimo. Não tenho gozo. Compro revistas, mas não as leio, entro em sites mas não vejo perspectivas, tento novos cursos mas não encontro conexões e vontades. Só tenho achado graça em vegetar, em perder o rumo do andar, no não estar de cada coisa. No dormir em meio ao caos, no prender aos pés da cama, no sol que bate na cara querendo aquecer e despertar mas o cerro dos olhos possui força maior. Por hora não há perspectiva. Só há dor. E uma expectativa (frustada) de tentar ser (novamente) alguém.

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