Tetravô
acho que no dia de hoje, se vivo estivesse e as condições fossem as mesmas, doeria mais em ti que em mim. Só agora dou-me conta do que é se desfazer dum bem que há tanto durou e perdurou. 4 gerações. 4 histórias. E uma revolução de acontecimentos. Infelizmente, eu só tomei conhecimento disto agora quando ao entrar naquela sala pude ver as fotos e as histórias contadas através de fotografias e os seus ex-instrumentos de trabalho que vieram de geração em geração cada vez mais jogados até que eu os colocasse num bonito lugar. Prefiro crer que as formas de comprimidos e pílulas, os cadinhos, pesos, balanças, colheres medidas e tudo o mais ainda possa ter um sentido muito maior um dia. Que para alguém vindouro posso ter muito mais significância que pra mim. Que os sonhos que como família, bem ou mal, com descência ou indescência, pudemos sonhar e construir possam um dia voltar a dar bons e suculentos frutos. Sinto-me fraco, impotente e ainda com aquele gosto bendito de morangos mofados na boca (que por mais morangos que eu coma não sai). [...] acho que perdi qualquer coisa muito maior que um simples estabelecimento comercial, uma simples firma, uma simples multicação de dívidas. Acho que perdi um pouco da minha história e com isso um pouco de mim.
______________________________________________foto de Butch Martin - torrada.


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