quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Tempo de silêncio e solidão.

Hora de sumir novamente, mas não por minha causa, tampouco por minhas vontades. São as circunstâncias. Tudo ao meu redor se não cheira mofo, inspira e transpira morte pelas veias. São tempos dificeis. Há morte na minha casa, na minha panela, nos meus passos, na minha visão. Não sinto mais os meus sentidos e tudo é frio e solitário. Não sinto prazer nos meus risos, tampouco conforto nas minhas lágrimas, tudo é somente o oco, o passar do tempo, vaidade. Machuco-me mas não sinto dor, firo outrem sem querer ferir ou firo a mim mesmo para saber se algo em mim reage a algum estímulo a alguma ... continua depois...

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Meu Jardim Vander Lee Composição: Vander Lee Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho Estou podando meu jardim Estou cuidando bem de mim Da primeira vez que saimos desta casa os móveis já não eram os mesmos, tampouco as experiências e as vontades. Tinhamos sonhos. Mudar de casa, pintar o apartamento, comprar um sítio, criarmos uma horta hidroponica, sermos mais unidos e felizes. Não fomos. Ainda com um certo tremor lembro-me das minhas lágrimas correndo pelos olhos embaçando-me a visão e eu tendo que colocar as roupas, os brinquedos e o que mais me fosse útil para aquele momento para que pudessemos partir. E no desespero arrumei a minha mochila, peguei algumas pelucias, outros bonecos entre carrinhos e com a segurança de um aperto de mão entrei no taxi e partimos. A porta aberta, as luzes acesas, a bagunça do momento, as coisas que deixei jogadas pelo caminho, o desespero dum outro a andar pela casa vazia e o silêncio pasmo do motorista. Dois anos depois voltamos a casa. Agora na certeza dela vazia. Abrimos a porta com cuidado. Pelo chão vinis quebrados, talheres jogados, sangue pelos lados, pelas paredes, pelos móveis, móveis destruidos e o chão todo ranhurado e as marcas de um desespero incabível de uma fera ferida. Ferida mas consciente. Meu quarto estava intocável. Não limpo nem arrumado. Os carrinhos em fila pelo chão, os bonecos nos mesmos lugares que haviam ficado, as roupas dentro do cesto, a flor do faso e os cadernos bagunçados no guarda-roupa, tudo em seu perfeito lugar, intocável por dois anos. Marcas inesquecíveis. Hoje vejo-me tendo que arrumar as malas novamente. A consciência e lucidez dos fatos são outras, as vontades também, assim como as opiniões. Desta vez não será necessário arrumar as malas correndo, tampouco deixar as coisas bagunçadas como estão. Há tempo, mas como da primeira vez há dor.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Dos novos tempos.

Hoje mais um ano começa: o ano letivo. O último ano duma faculdade de 5 anos. Neste tempo tive vitórias e derrotas muitas, erros e acertos demasiados e tentativas de outros mil, mas talvez nada que se compare com a força deste ano. Tempos de acertos mais que erros e de corrigir o que não se pode obter. Tempo de renascer, de novo.
E se for assim que venha com o cheiro de bons frutos que a estação dá. E alguns já se mostram nos primeiros botões: fui com a minha a um encontro vegetariano numa igreja adventista. Nunca pensei que o vegetarianismo pudesse combinar tão bem com uma leitura biblíca (mesmo que eu desaprove certos tipos de leitura).
E vamos que vamos porque hoje é segunda!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

de brincadiera II

[...]
- Acabou o seu tempo.
- Vamos começar então: não sou mais virgem, mas também nunca tive uma relação sexual concreta. Ficou difícil de entender, né?! Tudo bem, eu explico. Eu sei que não existe meio virgem, meio grávida e tantos outros meios por aí, mas neste caso em específico eu estou pesando um parâmetro com duas medidas; pois tenho em mim uma convicção de que virgindade vai muito além de uma penetração (no caso dos homens) e de o rompimento do hímen (nas mulheres). Por este ponto de vista físico da questão posso garantir que sou virgem com v maiusculo! Inclusive de boca! Nunca tive um relacionamento físico que fosse tão intenso e que me desse a segurança o suficiente para encarar um contato mais físico, íntimo e confidente que fosse além de meras palavras, o dar das mãos e alguns abraços. Mas também não posso negar que nunca namorei pelado, nunca fiz troca-trocas por aí com pessoas que em suas épocas e momentos me deixaram doido de tesão e que nunca me enrrosquei com garotos e garotas de revistas de sexo a fora. Por este ponto de vista, quando o sexo ou a relação sexual começa muito antes de uma penetração ou de um orgasmo, eu já fui um prostituto confesso. Quantos olhares já não troquei com outras pessoas no metrô, no ônibus, no trem, na rua ou em qualquer outro lugar que eu estivesse? Quantos corpos eu já não provei e quantos outros já não me provaram?! Quantas namoradas(os) capas de revista eu já não tive - sempre trocando de relacionamento com cada um(a) a cada mês sempre que alguém novo saia numa nova edição? E quantas vezes não sofri de polução noturna - e algumas vezes até diurna - enfrentando situações embaraçosas em casa e na casa de outros? E quantas outras vezes, por um excesso de vaidade, não fui eu mesmo o provador de mim mesmo e do meu corpo nas suas mais diversas formas? E por assim ser como posso eu dizer que ainda sou virgem mesmo sem nunca ter tido um contato físico mais íntimo com alguém? Impossível! Portanto se alguém me pergunta se sou virgem não posso mais dar outra resposta daquela além de um não, mas se alguém quiser falar de sexo, simplesmente não saberei comentar nada a respeito ou muito além de fantasias. Acho que é isso.